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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Diário de Leitura: A Caolha de Júlia Lopes de Almeida

Spoiler

"A caolha era uma mulher magra, alta, macilenta, peito fundo, busto arqueado, braços compridos, delgados, largos nos cotovelos, grossos nos pulsos; mãos grandes, ossudas, estragadas pelo reumatismo e pelo trabalho; unhas grossas, chatas e cinzentas, cabelo crespo, de uma cor indecisa entre o branco sujo e o louro grisalho, desse cabelo cujo contato parece dever ser áspero e espinhento; boca descaída, numa expressão de desprezo, pescoço longo, engelhado, como o pescoço dos urubus; dentes falhos e cariados. O seu aspecto infundia terror às crianças e repulsão aos adultos; não tanto pela sua altura e extraordinária magreza, mas porque a desgraçada tinha um defeito horrível: haviam-lhe extraído o olho esquerdo; a pálpebra descera mirrada, deixando, contudo, junto ao lacrimal, uma fístula continuamente porejante."


Excelente conto! acho que a grande mensagem que ele nos passa é que nunca devemos desdenhar do que somos, e quando temos em mente que todos somos iguais independente do que temos de material ou de nossa aparência física, fica mais fácil assumir nosso papel neste mundo.

Como já foi apresentado no trecho acima a imagem da caolha não era das melhores, mas ela tinha um filho a quem dedicava todo o seu amor e atenção.

Antonico, por outro lado, era desprezado por todos, por ser filho da caolha, quando pequeno a amava e a enchia de carinhos, o que preenchia a vida da mulher, porém todo este carinho foi se acabando ao longo do crescimento de Antonico.

Na escola, foi um horror, sofreu até que desistiu de estudar, no trabalho não foi diferente, Antonico era o filho da caolha e se ressentia por isso.

Até que um dia conhece uma moça e se apaixona, mas para casar-se com ela havia uma condição, se afastar da mãe por completo.

Antonico com raiva, despejou em cima de sua mãe todo o ódio e ressentimento de anos de privação, humilhação e isolamento e saiu de casa.

No dia seguinte arrependendo-se pede que sua madrinha o ajude, e esta revela que a condição de sua mãe foi sua culpa, Antonico quando criança espetou um garfo no olho dela, o que causou todo o estrago.

Assim termina, mas eu fico imaginando a cara do Antonico...


Esse vídeo é o conto na íntegra, aproveitem!





quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Diário de Leitura: Dentro da Noite de João do Rio



Spoiler

Serei breve...este conto de João do Rio, é um conto pequeno, fala sobre Clotilde e seu...digamos...estranho noivo.
Já adianto que não gostei deste conto, falo puramente em sentido subjetivo, sem contar com todos os valores técnicos literários que ele deve ter, já que faz parte deste livro.
Mas se o objetivo do autor foi provocar aversão e asco, posso dizer que foi muito bem sucedido, pelo menos comigo.
Bem, vou contar um pouquinho para que tenham ideia do que eu estou falando.
Rodolfo, noivo de Clotilde, certa vez se encanta com a beleza dos braços nus da moça e os descreve, falando sobre sua maciez, beleza e etc e etc mas imaginem o que o cara ficou louco para fazer? espetar a pobre da Clotilde com alfinetes!?!?
Isso mesmo!!! e ele fez, e várias vezes!!!
E ele descreve a sensação e tal (e eu  lendo com cara de pastel) até que todos descobrem...
Então é isso, já li outros contos de João do Rio que gostei, mas este... infelizmente não foi legal, então vamos aguardar os próximos!

domingo, 26 de julho de 2015

Diário de Leitura: A nova Califórnia de Lima Barreto





"De tarde, se o viam a passear pela margem do Tubiacanga, sentando-se aqui e ali, olhando perdidamente as águas claras do riacho, cismando diante da penetrante melancolia do crepúsculo..." 
Contém spoiler


Este conto de Lima Barreto é uma crítica ao comportamento humano, a ganancia, e como esta pode mudar opiniões, fazer cair por terra conceitos morais em nome da usura ao dinheiro.

Na pequena cidade de Tubiacanga, certa vez, um forasteiro, fixa residência e causa tremendo alvoroço entre os habitantes do lugar.
Vivendo sozinho e não fazendo questão de se relacionar com ninguém o forasteiro Flamel, cujo nome só se sabia através do carteiro que entregava suas correspondências, resolve construir um forno em sua sala, varias hipóteses começam a ser lançadas sobre sua pessoa, será um bandido? um médico? será que tem parte com o tinhoso? muitas perguntas eram feitas entre os moradores do lugar, mas a verdade é que ninguém sabia nada sobre ele.

Um dia, Flamel resolve encontrar-se com o boticário e o conta seu grande segredo, ele é um químico e descobriu como fazer ouro!
O boticário mostrou-se muito interessado, Famel pediu que ele e mais duas pessoas fossem presenciar seu grande feito, porém as pessoas não poderiam ser religiosas já que a transformação era feita com base em ossos humanos.

"A desinteligência não tardou a surgir; os mortos eram poucos e não bastava para satisfazer a fome dos vivos."

Daí em diante túmulos começam a ser violados, e ninguém sabe por quem, até que os bandidos são pegos e descobre-se toda a trama e o grande feito do forasteiro de transformar osso em ouro, com a promessa de revelar como isso é feito para a população, o que era asqueroso (o roubo dos ossos) torna-se normal e todos começam uma corrida ao cemitério e na ânsia de roubar ossos, acabam uns matando aos outros, a cidade que antes era pacata, agora tinha mais mortos no cemitério do que nunca, o que não foi nada mal para Flamel.


Excelente conto de Lima Barreto.


domingo, 28 de junho de 2015

Diário de Leitura: O Bebê de Tarlatana rosa, conto de João do Rio


Este conto de João do Rio me provocou certa confusão, se trata de um conto de carnaval e como tal imaginei um monte de coisas, festas, namoro, sei lá! mas na verdade é um conto de terror.

Sim, um conto sombrio, arrepiante, inicia-se com Heitor contando numa roda de amigos uma aventura de carnaval, e todos bem interessados prestando atenção aos detalhes da narrativa, coisa que o personagem não economiza, apesar de ser um conto curto, a aventura de carnaval é contada aos pormenores.

Num destes dias Heitor encontra numa destas festas um bebê de Tarlatana (alguém com uma fantasia)
e troca algumas palavras, no dia seguinte encontra de novo com esta pessoa e eles passam a se relacionar até que Heitor pede que a pessoa retire a máscara, Ai que MEDO!!!!!

Muito bom o conto, para quem se interessar segue um vídeo com este conto na íntegra interpretado pelo ator Antônio Abujamra.




domingo, 21 de junho de 2015

Conto " Pai contra mãe" de Machado de Assis / Diário de leitura


Iniciando meu Diário de Leitura com o conto de Machado de Assis  "Pai contra mãe" este conto faz parte do período compreendido entre os anos de 1900 até os anos 1930.


De 1900 aos anos 30

  Memórias de ferro, desejos de tarlatana

  "Entre o passado triste e rural que persiste e o futuro vertiginoso que não chegou, o presente das primeiras décadas do século 20 explora linguagens diversas. Estamos rompendo os ferros da escravidão, alimentamos sonhos de carnaval e tarlatana, velocidade e multidão. São décadas em que ainda não existe uma linguagem brasileira padrão. Por isso, os contistas experimentam os mais variados estilos — desde os estrangeirismos à La mode de João do Rio aos regionalismos gaúcho e paulista de Simões Lopes Neto e Alcântara Machado, passando pelo insuperável, o eterno e moderno Machado de Assis. Por sorte, o maior escritor brasileiro do século 19 ainda estava vivo nos primeiros anos do século 20 (morreu em 1908). Tempo suficiente para escrever a obra-prima com que abrimos este volume"

É engraçado como o tempo transforma os costumes e a cultura de uma região ou povo, ao ler histórias antigas, livros clássicos, podemos encontrar situações que hoje são inconcebíveis e nos causa adversidade mas na época eram naturais, para quem está acostumado a ler esses livros sabe do que eu estou falando, temas como escravidão, usos de termos pejorativos e preconceituosos, a situação da mulher frente a sociedade, dentre muitos outros, quando isso acontece não tem jeito, é preciso um distanciamento e tentar se colocar na época em questão, pois o livro é de ficção mas também nos dá bons conhecimentos históricos.

Voltando ao conto, nele é abordado duas questões complicadas, a escravidão e o abandono de crianças na Roda dos Enjeitados. Para quem não sabe do que eu estou falando clica aqui

Candinho, caçador de escravos fugidos, conhece e começa a namorar Clara, moça recatada, costureira, humilde, morando com tia Mônica que sempre lhe abriu os olhos em relação aos homens e principalmente a Candinho, porém Clara apaixonou-se e se deixou levar pelo sentimento, casou.

Todos foram morar com tia Mônica, o dinheiro cada vez em menor quantidade, as dividas aumentando e Candinho com seu "trabalho" que dificilmente trazia dinheiro para casa.

Clara engravidou, o filho seria abandonado, deixado na roda dos enjeitados, muito comum na época, o pai fez questão de levá-lo, depois de uma última mamada.

Arrumou o menino, a mãe sem expressividade, levou o filho no colo pela rua, no meio do caminho Candinho encontra uma escrava fugida, que pela ironia do destino estava grávida, a recompensa, 100 mil Reis, o suficiente para arrumar a sua vida e criar seu filho.

Diante deste dilema, Candinho toma sua decisão, que claro não vou contar.

Ótimo conto, dá para perceber bem o estilo de Machado, e vamos para o próximo, não vou classificar cada conto e sim o livro como um todo e no final vou fazer uma seleção dos 10 melhores.

Até a próxima leitura.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Projeto de Leitura

Este é o meu primeiro projeto de leitura, estou muito animada e vou entrar na onda dos Blogs e canais do YouTube e fazer um Diário de Leitura.

O livro escolhido foi Os Cem Melhores Contos Brasileiros Do Século.


Sinopse:

Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século - Finalista do Jabuti. Nesta antologia, o professor Italo Moriconi apresenta os cem melhores textos do gênero produzidos no Brasil ao longo do século 20. Seguindo rígidos critérios acadêmicos e pautado somente pela qualidade e pelo sabor dessas pequenas obras-primas, esta coletânea faz um passeio pela mais deliciosa e contundente ficção curta produzida no Brasil entre 1900 e o fim dos anos 90. Uma antologia capaz de traduzir as mudanças do país e as inquietações de várias gerações de brasileiros, em cem anos de produção literária. Para ilustrar esse instigante e rico panorama, Moriconi escalou craques como João do Rio, Clarice Lispector, Lima Barreto, Graciliano Ramos, Carlos Drummond de Andrade, Dinah Silveira de Queiroz, J.J.Veiga, Rubem Fonseca, Ana C. César, Otto Lara Resende, Fernando Sabino, Hilda Hilst, Dalton Trevisan, Moacyr Scliar, Lygia Fagundes Telles, Victor Giudice, João Antônio, Luiz Fernando Veríssimo, Raduan Nassar e Nélida Piñon, entre outros.


Primeiro porque é um livro de contos e não acho legal resenhar um livro desse tipo, e ainda mais com tantos contos, então fazendo um diário de leitura vou falar de cada conto separado.

Segundo porque é um livro de mais de 600 páginas e preciso de um incentivo a mais para a leitura, hehehe.

:)

Terceiro porque não costumo ler contos, dá para acreditar? e preciso remediar isso o mais rápido possível, então a ideia: Vou começar logo pelos cem melhores.

Este livro foi publicado pela Editora Objetiva e a seleção foi feita por Ítalo Moriconi.

"Quando fui convidado pela Editora Objetiva para realizar o presente projeto, fiquei entusiasmado com a proposta — escolher os cem melhores contos do século 20 neste momento de virada para o 21. Vi logo que teria pela frente um trabalho bastante prazeroso, apesar do esforço de pesquisa que me exigiria. Por outro lado, havia o desafio colocado pela editora de que a seleção dos contos se pautasse não em critérios acadêmicos e sim em critérios de gosto e qualidade."



O livro é separado por décadas desta forma:

De 1900 até 1930
Anos 40 e 50
Anos 60
Anos 70
Anos 80
Anos 90


A proposta é escrever semanalmente para o Blog pelo menos sobre um conto, se der escrevo mais, vamos ver o andamento das leituras já que esta será uma leitura paralela as minhas leituras normais.

Então é isso, o primeiro conto será de Machado de Assis iniciando o período de 1900 até 1930.

Uma ótima leitura!




quarta-feira, 10 de junho de 2015

Resenha / Noite Sem Madrugada / Adonias Filho



Este foi meu primeiro livro de Adonias Filho, que quando em vida ocupou a cadeira 21 da Academia Brasileira de Letras.
Este livro foi uma agradável surpresa, um romance policial, tenso, angustiante, que ao invés de iniciar com o crime, inicia-se com a prisão do culpado.
Com uma escrita fluida, simples e envolvente, fui ao longo da trama simpatizando com os personagens, a tal ponto, que torci por um destes personagens até o final, e digo a vocês que fazia tempo que eu não me envolvia assim, ultimamente tenho lido de uma forma mais distanciada, mas este livrinho de menos de 200 páginas me pregou esta peça.

Primeira página, numa rua do Catete, no inicio da noite, uma patrulha da policia estaciona em frente a uma casa, os vizinhos se alvoroçam, saem para ver o que está acontecendo e de dentro da casa, algemado, humilhado, de cabeça baixa, sai Eduardo com sua esposa e seus três filhos atrás chorando e assustados.

A esposa, pessoa humilde, mas justa e trabalhadora, não se conforma, confusa sem saber o que estava acontecendo pede ajuda aos vizinhos que com olhares tortos já culparam e condenaram Eduardo.

A mulher não se deixa abater, mesmo sabendo que a acusação é assalto a banco e assassinato, ela diz conhecer o homem que vive com ela, e para tirá-lo da cadeia ela é capaz de tudo até mesmo de vender seu único bem, a casa do catete.

"O emprego nas Lojas permitiu o empréstimo na Caixa. Permaneceram em Niterói até que , saindo o financiamento, compraram a casa no Catete. Casa de vila, pequena e abafada, acanhadinha, mas deles."

A partir deste ponto, Vilma, a esposa, busca um advogado, encontra-se com outras pessoas e faz o impossível para inocentar seu marido.

"Muito, muito tempo depois, Eduardo sempre o mesmo namorado."

Neste ponto a história é suspensa e dá um salto no tempo e passamos a conhecer quem é Eduardo de fato, sua infância, seus dramas, seu caráter, como conheceu e casou-se com Vilma até o ponto do crime.

"O Juiz, ela e Eduardo, o pai e a mãe. Um dia tão sem nuvens que o sol pareceu maior e mais forte. Juntos, as alianças nos dedos, na barca que rompia o mar e fazia espumas."

"Não saberei nunca se afeição de Laura por mim foi igual à que dedicara a Raimundinho. Não, isso jamais saberei! Digo que, se no começo me tratava como uma espécie de cachorro de estimação, Os banhos, as refeições, os castigos, não tardou a aceitar-me como realmente um filho."

E daí para frente presenciamos a luta de Vilma até o julgamento.

Só um detalhe, no inicio do livro tem uma apresentação de Raquel de Queiroz, leiam só no final, pois ela conta os pontos chaves da história. :(

Na minha opinião o livro foi muito bom, apenas teve um final meio "fantasioso" porém nada que possa comprometer o todo.

Classifico como  4 Estrelas


Resumo - Os Lobos dentro das paredes/ Neil Gaiman

Essa postagem é um resumo, então terá spoilers, não leia se não quiser saber detalhes sobre a obra É um livro infantil, com uma fábul...